sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Nuvens


Nathan Kaso




Ó nuvens pelos céus que eternamente andais!
Longo colar de pérolas na estepe azul,
exiladas como eu, correndo rumo ao sul,
longe do caro norte que, como eu, deixais!

Que vos impele assim? Uma ordem do Destino?
Oculto mal secreto? Ou mal que se conhece?
Acaso carregais o crime que envilece?
Ou só de amigos vis o torpe desatino?

Ah não: fugis cansadas da maninha terra,
e estranhas a paixões e ao sofrimento estranhas
eternas pervagais as frígidas entranhas.
E não sabeis, sem pátria, a dor que o exílio encerra.


Mikhail Lermontov






SEPARAÇÃO AFETIVA – UMA VISÃO BUDISTA


Marion Bolognesi





Separar-se dói, 
mas também pode ser uma bênção.



É possível separar-se de alguém com respeito e com ternura.

É possível um divórcio verdadeiramente amigável.

Mas para isso é preciso que as duas pessoas envolvidas no processo de desfazer um laço de intimidade tenham amadurecido o suficiente para conhecer a si mesmas.

Caminhamos lado a lado com algumas pessoas em alguns momentos da vida.

Minha professora de hatha ioga, Walkiria Leitão, comentou em uma de nossas aulas:

“A vida é como atravessar uma ponte. Nem sempre as pessoas com quem iniciamos a travessia são as mesmas que nos cercam agora ou com quem chegaremos do outro lado. Mas sempre há alguém por perto. Nunca estamos sós.”

O medo da solidão, muitas vezes, faz com que as pessoas suportem o insuportável. Ou se lamentem após uma separação, apegadas até mesmo ao conflito conhecido.

Ainda há mulheres que sofrem violências morais e até mesmo físicas de seus companheiros ou companheiras.

Ainda há homens que sofrem violências morais e até mesmo físicas de suas companheiras ou companheiros.

Como dar limites? Como conhecer esses limites?

Quando os limites são desrespeitados, as dificuldades começam. Dificuldades que podem levar à separação e ao divórcio. Dificuldades que podem levar ao sofrimento de filhos e filhas, animais de estimação, amigos, familiares.

Caminhamos lado a lado.

Ou não.

Quando nos afastamos e nos distanciamos, nunca é repentino.

Um processo que, se desenvolvermos a clara percepção da realidade do assim como é, poderemos prever, antecipar e até mesmo alterar o desenvolvimento do processo.

Entretanto, se não conseguirmos antever o que já acontece, se colocarmos lentes fantasiosas sobre a realidade, poderemos nos desiludir e nos sentirmos traídos na confiança mais íntima do ser.

Professor Hermógenes, um dos pioneiros do yoga no Brasil, fala sobre a criação de uma nova religião chamada “desilusionismo”:

“Cada vez que temos uma desilusão estamos mais perto da verdade, por isso agradecemos.”

Se você teve uma desilusão é porque não estava em plena atenção. Mas não fique com raiva nem de você nem da outra pessoa.

Nada é fixo. Nada é permanente.

Saber abrir mão, desapegar-se – até da maneira como tem vivido – é abrir novas possibilidades para todos.

Por que sofrer?
Por que manter relações estagnadas ou de conflito permanente?
Ou como transformar essas relações e dar vida nova ao relacionamento?

Apreciar e compreender a vida em cada instante é uma arte a ser praticada.

Separar-se dói, confunde, mexe com sonhos e estruturas básicas de relacionamentos.

Separação pode ser também uma bênção, uma libertação de uma fantasia, de uma ilusão.

Observe em profundidade.

Será que ainda é possível restaurar o vaso antigo?

No Japão, as peças restauradas são mais valiosas do que as novas. Tem história, emoção, sentimento.

Cuidado com o eu menor.

Cuidado com sentimentos de rancor, raiva, vingança.

Esse sentimentos destroem você, mais do que as outras pessoas.

Desenvolva a mente de sabedoria e de compaixão.

Queira o bem de todos os seres. Isso inclui você.

Cuide-se bem e aprecie a sua vida – assim como é –, renovando-se a cada instante e abrindo portais para o desconhecido, o novo – que pode ser antigo, mas novo a cada instante.

Mantenha viva a chama do amor incondicional e saiba se separar (se assim for) com a mesma ternura e respeito com que se uniu.

Esse o princípio de uma cultura de paz e de não violência ativa.



Monja Coen
in, “Casar, Descasar, Recasar”





quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

QUANDO NOS SEPARÁMOS





Quando nos separámos
Em silêncio e choro
E quebrados ficámos
Num vazio duradouro
Pálido e frio teu rosto ficou, 
O teu beijo frio como água;
E essa hora prenunciou
Toda esta mágoa.

O orvalho matinal
Que senti nessa hora
Era já um sinal
Do que sinto agora.
O teu voto foi quebrado,
Nova luz te conhece;
Oiço o teu nome falado
E como isso me entristece.

Sempre que oiço o teu nome
Abre-se esta ferida
Um arrepio que me consome
Porque me foste tão querida?
Eles não sabem que te conheci
E que foi um conhecer profundo
Sei que vou desistir de ti
Mas não o direi ao mundo.

Conhecemo-nos sem se saber
Em silêncio sofrerei
Que o teu coração poderia esquecer
E iludir-te, não sei.
Se te encontrar
Num ano vindouro
Como te deverei encarar?
Com silêncio e choro...



GEORGE GORDON BYRON
in, THE POETICAL WORKS OF LORD BYRON





Carta de Clarice Lispector para a sua irmã Tania Kaufmann





Berna, 6 janeiro 1948

Minha florzinha,

Recebi sua carta desse estranho Bucsky, datada de 30 de dezembro. Como fiquei contente, minha irmãzinha, com certas frases suas. Não diga porém: descobri que ainda há muita coisa viva em mim. Mas não, minha querida! Você está toda viva! Somente você tem levado uma vida irracional, uma vida que não parece com você. Tania, não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Nem sei como lhe explicar, querida irmã, minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito de si mesma e o respeito de suas próprias necessidades – depois disso fica-se um pouco um trapo. Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar, e contar experiências minhas e de outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, ou falta de caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos levar de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar. Querida, quase quatro anos me transformaram muito.

Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? assim fiquei eu…, em que pese a dura comparação… Para me adatar (sic) ao que era inadatável (sic), para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus aguilhões – cortei em mim a força que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que nos leve de volta, só a ideia de ver você e de retomar um pouco minha vida – que não era maravilhosa mas era uma vida – eu me transforme inteiramente. Mariazinha, mulher do Milton, um dia desses encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: você era muito diferente, não era? Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com uma lassidão de mulher de cinquenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. Não haveria nem necessidade de lhe dizer, então… Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado.

Minha irmãzinha, ouça meu conselho, ouça meu pedido: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver. Eu tenho tanto medo de que aconteça com você o que aconteceu comigo, pois nós somos parecidas. Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia – será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma moral amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse a minha vida sem eu saber – pois somente saber de sua presença me transformaria e me daria vida e alegria. Isso seria uma lição para você. Ver o que pode suceder quando se pactuou com a comodidade de alma. Tenha coragem de se transformar, minha querida, de fazer o que você deseja – seja sair nos week-end, seja o que for. Me escreva sem a preocupação de falar coisas neutras – porque como poderíamos fazer bem uma a outra sem esse mínimo de sinceridade?

Que o ano novo lhe traga todas as felicidades, minha querida. Receba um abraço de muita saudade, de enorme saudade de sua irmã

Clarice



Clarice Lispectot 
in,  “Correspondências”





quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Soneto à luz de velas





Velas iluminavam o ambiente
E nossos olhos brilhavam
Diante nossos corpos nus e incandescentes
Impressão que as chamas davam

Começamos um jogo de exploração
Mãos percorrendo dorso
Causando inebriante sensação
Trazendo à mente um novo universo

Olhos ardendo em desejo
Bocas entre-abertas…
Meu corpo em seus braços despejo

Rolamos pelas cobertas
Pelo mundo temos desprezo,
Pois nossas almas somente para o nosso amor estão abertas…



Simone Barbariz





BYUNG-CHUL HAN





O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, um destacado dissecador da sociedade do hiperconsumismo, falou ao jornal El País sobre as suas críticas ao “inferno do igual”


“Hoje o indivíduo se explora 
e acredita que isso é realização”


As Torres Gêmeas, edifícios idênticos que se refletem mutuamente, um sistema fechado em si mesmo, impondo o igual e excluindo o diferente e que foram alvo de um ataque que abriu um buraco no sistema global do igual. Ou as pessoas praticando binge watching (maratonas de séries), visualizando continuamente só aquilo de que gostam: mais uma vez, multiplicando o igual, nunca o diferente ou o outro... São duas das poderosas imagens utilizadas pelo filósofo sul coreano Byung-Chul Han (Seul, 1959), um dos mais reconhecidos dissecadores dos males que acometem a sociedade hiperconsumista e neoliberal depois da queda do Muro de Berlim.
Livros como A Sociedade do Cansaço, Psicopolítica e A Expulsão do Diferente reúnem seu denso discurso intelectual, que ele desenvolve sempre em rede: conecta tudo, como faz com suas mãos muito abertas, de dedos longos que se juntam enquanto ajeita um curto rabo de cavalo.


“No 1984 orwelliano a sociedade era consciente de que estava sendo dominada; hoje não temos nem essa consciência de dominação”, alertou em sua palestra no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), na Espanha, onde o professor formado e radicado na Alemanha falou sobre a expulsão da diferença. E expôs sua particular visão de mundo, construída a partir da tese de que os indivíduos hoje se autoexploram e têm pavor do outro, do diferente. Vivendo, assim, “no deserto, ou no inferno, do igual”.

Autenticidade. Para Han, as pessoas se vendem como autênticas porque “todos querem ser diferentes uns dos outros”, o que força a “produzir a si mesmo”. E é impossível ser verdadeiramente diferente hoje porque “nessa vontade de ser diferente prossegue o igual”. Resultado: o sistema só permite que existam “diferenças comercializáveis”.

Autoexploração. Na opinião do filósofo, passou-se do “dever fazer” para o “poder fazer”. “Vive-se com a angústia de não estar fazendo tudo o que poderia ser feito”, e se você não é um vencedor, a culpa é sua. “Hoje a pessoa explora a si mesma achando que está se realizando; é a lógica traiçoeira do neoliberalismo que culmina na síndrome de burnout”. E a consequência: “Não há mais contra quem direcionar a revolução, a repressão não vem mais dos outros”. É “a alienação de si mesmo”, que no físico se traduz em anorexias ou em compulsão alimentar ou no consumo exagerado de produtos ou entretenimento.

‘Big data’.”Os macrodados tornam supérfluo o pensamento porque se tudo é quantificável, tudo é igual... Estamos em pleno dataísmo: o homem não é mais soberano de si mesmo, mas resultado de uma operação algorítmica que o domina sem que ele perceba; vemos isso na China com a concessão de vistos segundo os dados geridos pelo Estado ou na técnica do reconhecimento facial”. A revolta implicaria em deixar de compartilhar dados ou sair das redes sociais? “Não podemos nos recusar a fornecê-los: uma serra também pode cortar cabeças... É preciso ajustar o sistema: o ebook foi feito para que eu o leia, não para que eu seja lido através de algoritmos... Ou será que o algoritmo agora fará o homem? Nos Estados Unidos vimos a influência do Facebook nas eleições... Precisamos de uma carta digital que recupere a dignidade humana e pensar em uma renda básica para as profissões que serão devoradas pelas novas tecnologias”.

Comunicação. “Sem a presença do outro, a comunicação degenera em um intercâmbio de informação: as relações são substituídas pelas conexões, e assim só se conecta com o igual; a comunicação digital é somente visual, perdemos todos os sentidos; vivemos uma fase em que a comunicação está debilitada como nunca: a comunicação global e dos likes só tolera os mais iguais; o igual não dói!”.

Jardim. “Eu sou diferente; estou cercado de aparelhos analógicos: tive dois pianos de 400 quilos e por três anos cultivei um jardim secreto que me deu contato com a realidade: cores, aromas, sensações... Permitiu-me perceber a alteridade da terra: a terra tinha peso, fazia tudo com as mãos; o digital não pesa, não tem cheiro, não opõe resistência, você passa um dedo e pronto... É a abolição da realidade; meu próximo livro será esse: Elogio da Terra. O Jardim Secreto. A terra é mais do que dígitos e números.

Narcisismo. Han afirma que “ser observado hoje é um aspecto central do ser no mundo”. O problema reside no fato de que “o narcisista é cego na hora de ver o outro” e, sem esse outro, “não se pode produzir o sentimento de autoestima”. O narcisismo teria chegado também àquela que deveria ser uma panaceia, a arte: “Degenerou em narcisismo, está ao serviço do consumo, pagam-se quantias injustificadas por ela, já é vítima do sistema; se fosse alheia ao sistema, seria uma narrativa nova, mas não é”.

Os outros. Esta é a chave para suas reflexões mais recentes. “Quanto mais iguais são as pessoas, mais aumenta a produção; essa é a lógica atual; o capital precisa que todos sejamos iguais, até mesmo os turistas; o neoliberalismo não funcionaria se as pessoas fossem diferentes”. Por isso propõe “retornar ao animal original, que não consome nem se comunica de forma desenfreada; não tenho soluções concretas, mas talvez o sistema acabe desmoronando por si mesmo... Em todo caso, vivemos uma época de conformismo radical: a universidade tem clientes e só cria trabalhadores, não forma espiritualmente; o mundo está no limite de sua capacidade; talvez assim chegue a um curto-circuito e recuperemos aquele animal original”.

Refugiados. Han é muito claro: com o atual sistema neoliberal “não se sente preocupação, medo ou aversão pelos refugiados, na verdade são vistos como um peso, com ressentimento ou inveja”; a prova é que logo o mundo ocidental vai veranear em seus países.

Tempo. É preciso revolucionar o uso do tempo, afirma o filósofo, professor em Berlim. “A aceleração atual diminui a capacidade de permanecer: precisamos de um tempo próprio que o sistema produtivo não nos deixa ter; necessitamos de um tempo livre, que significa ficar parado, sem nada produtivo a fazer, mas que não deve ser confundido com um tempo de recuperação para continuar trabalhando; o tempo trabalhado é tempo perdido, não é um tempo para nós”.




O “MONSTRO” DA UNIÃO EUROPEIA
“Estamos na Rede, mas não escutamos o outro, só fazemos barulho”, diz Byung-Chul Han, que viaja o necessário, mas não faz turismo “para não participar do fluxo de mercadorias e pessoas”. Também defende uma política nova. E a relaciona com a Catalunha, tema cuja tensão atenua brincando:

“Se Puigdemont prometer voltar ao animal original, eu me torno separatista”.

Já no aspecto político, enquadra o assunto no contexto da União Europeia: “A UE não foi uma união de sentimentos, mas sim comercial; é um monstro burocrático fora de toda lógica democrática; funciona por decretos...; nesta globalização abstrata acontece um duelo entre o não lugar e a necessidade de ser de um lugar concreto; o especial é incômodo, gera desassossego e arrebenta o regional. Hegel dizia que a verdade é a reconciliação entre o geral e o particular e isso, hoje, é mais difícil...”. Mas recorre à sua revolução do tempo: “O casamento faz parte da recuperação do tempo livre: vamos ver se haverá um casamento entre a Catalunha e Espanha, e uma reconciliação”.



CARLES GELI




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Moving Into A Period


Unified-Heart
Leonard Cohen Symbol
He described the symbol as 
“A version of the yin and yang or any of those symbols that incorporate the polarities…
and try and reconcile the differences.”





We are moving into a period of bewilderment, a curious moment 
in which people find light in the midst of despair, and vertigo at the 
summit of their hopes. It is a religious moment also, and here is the 
danger. People will want to obey the voice of Authority, and many 
strange constructs of just what Authority is will arise in every mind. 
The family will appear again as the Foundation, much honoured, much 
praised, but those of us who have been pierced by other possibilities, 
we will merely go through the motions, albeit the motions of love. The
public yearning for Order will invite many stubborn uncompromising 
persons to impose it. The sadness of the zoo will fall upon society. 

You and I, who yearn for blameless intimacy, we will be unwilling to 
speak even the first words of inquisitive delight, for fear of reprisals. 
Everything desperate will live behind a joke. But I swear that I will
stand within the range of your perfume. 

How severe seems the moon tonight, like the face of an Iron Maiden, 
instead of the usual indistinct idiot. 

If you think Freud is dishonoured now, and Einstein, and Hemingway, 
just wait and see what is to be done with all that white hair, by those 
who come after me. 

But there will be a Cross, a sign, that some will understand; a secret 
meeting, a warning, a Jerusalem hidden in Jerusalem. I will be wearing 
white clothes, as usual, and I will enter The Innermost Place as I have 
done generation upon generation, to entreat, to plead, to justify. I will 
enter the chamber of the Bride and Bridegroom, and no one 
will follow me. 

Have no doubt, in the near future we will be seeing and hearing 
much more of this sort of thing from people like myself. 


Leonard Cohen 
in, Book of Longing




...................................... é para lá que eu vou





Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou.

À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma ideia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou.

Na ponta dos pés o salto.
Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou.

Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou.

Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra "tertúlia" e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio.

Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.
É para o meu pobre nome que vou.

E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.

À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo.

Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto.
Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente.
Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.


Clarice Lispector





segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

And This Day It Was Spring….Us





and this day it was Spring….us
drew lewdly the murmurous minute clumsy
smelloftheworld.       We intricately
alive,cleaving the luminous stammer of bodies
(eagerly just not each other touch)seeking,some
street which easily tickles a brittle fuss
of fragile huge humanity….
                                        Numb
thoughts,kicking in the rivers of our blood,miss
by how terrible inches speech—it
made you a little dizzy did the world’s smell
(but i was thinking why the girl-and-bird
of you move….moves….and also,i’ll admit—)

till,at the corner of Nothing and Something,we heard
a handorgan in twilight playing like hell



E. E. Cummings 
in, 100 Selected Poems





As 4 Frequências Cerebrais





You are the surface 
on which the universe 
encodes information... 
You give the universe 
the surface to grow and learn... 

– Nassim Haramein









O cérebro intercomunica-se através de impulsos elétricos, estes formam ondas electromagnéticas de várias frequências,
 existindo 4 frequências distintas.


As células cerebrais, especificamente os neurónios, utilizam impulsos elétricos para se comunicarem entre si, além de fazer os músculos contraírem e os membros se moverem.
Cada neurónio produz determinada descarga elétrica com o objetivo de este comunicar com os neurónios e outras células vizinhas.

Quando esse impulso elétrico é excessivo surge a epilepsia, e quando se “perde” parcialmente até chegar ao destino surge o Parkinson.


É evidente que o cérebro possui atividade elétrica, 
por consequência surgirão ondas electromagnéticas. 
Estas por sua vez, podem ser medidas/avaliadas por aparelhos como EEG. 
Estas ondas elétricas, têm frequências que podem ser medidas em ciclos ou Hertz. 
A frequência das ondas muda consoante a atividade elétrica dos neurónios 
que estão associados a alteração de estados de consciência.





Podemos então distinguir 4 frequências distintas:

Beta

Neste estado você esta acordado e a sua mente concentrada, pronta para trabalhos que requerem a atenção total. Fundamental em processos que envolvam a concentração, como a aprendizagem, a análise e organização de informações.  A faixa beta, situa-se entre os 14 -30 HZ, associado à atenção, à acuidade visual e coordenação


Alfa

Neste estado você está relaxado, a sua consciência interna aumenta, aumentando com isso a auto-perceção, a consciência dos pensamentos e processos internos. Aumenta a criatividade e a ansiedade tende a diminuir. Experiência a sensação de paz e bem-estar. A faixa alfa, situa-se entre os 7 -13 HZ, associado à resolução de problemas,criatividade, memorização, relaxamento e pensamento abstrato e imaginação (visualizações).


Teta

Neste estado você entra num estado ainda mais profundo de relaxamento, baixando a atividade cerebral quase ao nível do sono. Este estado é considerado “misterioso”, neste estado surgem imagens inconscientes, que não se sabe a origem ao certo. Propicia também a criatividade e acesso a memórias à muito “esquecidas”. Situam-se entre os 4-7 Hertz, neste estado estamos num “sonho acordado”, proporcionando um estado ideal para o acesso a memorias, aprendizagem acelerada, criatividade e “re/programação mental”.


Delta

Este estado, muitas vezes contestado cientificamente, situa-se entre os 4-1Hertz é a mais baixa de todas as frequências de ondas cerebrais. Nesta frequência é produzido a hormona do crescimento, além deste estado ser benéfico para a regeneração celular e cura. Neste estado, têm-se acesso mais profundo ao inconsciente e à intuição.

Existem métodos e técnicas que facilitam alterar a frequência cerebral e o estado mental, tais como o relaxamento, a hipnose, até mesmo software. Convém que estes métodos e técnicas, sejam utilizados por profissionais ou entidades credenciadas, pois uma má utilização pode provocar consequências a vários níveis.



Jorge Elói







O nosso cérebro emite ondas cerebrais (Alfa, Beta, Delta, Gama e Teta), possuidoras de inúmeras propriedades.
Podemos usá-las em nosso favor para mudar a nossa vida em vários aspectos.
Aprenda a gerar esses diferentes tipos de ondas cerebrais e a utilizá-las em seu benefício para melhorar sua vida.
Do estado de vigília... aos estados modificados de consciência! 
Os cinco tipos de ondas cerebrais conhecidos variam em frequências cuja intensidade é calculada em Hertz (um Hz corresponde a um impulso por segundo).




As ondas Gama são provocadas pelas fases de intensa reflexão intelectual.
Para gerá-las, reflita sobre um problema importante para você e mantenha esse estado de concentração o maior tempo possível.
Você também vai progressivamente encontrar soluções para qualquer problema.






Para gerar ondas Beta de melhor qualidade, basta manter a calma em todas as circunstâncias e manifestar pensamentos positivos.
Por isso, procure levar uma vida calma e equilibrada para melhorar a qualidade das suas ondas Beta e gerar mais rapidamente os outros tipos de ondas.









As Ondas Alfa permitem alcançar o primeiro nível dos estados modificados de consciência.
Os estados modificados de consciência são fases de atividade cerebral superiores, onde você tem uma visão mais profunda da realidade e um acesso às suas capacidades escondidas e aos seus dons extrassensoriais.
Você pode provocar o estado cerebral Alfa através do controle da sua respiração deixando que ela se aprofunde naturalmente.
Comece por dedicar 5 minutos a essa prática e depois vá aumentando gradualmente esse tempo.
A prática da meditação, a visualização e o pensamento positivo também provocam o aparecimento das ondas Alfa.
No estado Alfa, você aumentará as suas capacidades de aprendizagem e de assimilação de conhecimentos.






As ondas Teta induzem estados de consciência mais profundos que as ondas Alfa.
Podemos alcançar o estado Teta em etapas superiores da prática da meditação e do relaxamento.
Ele permite uma consciência mais ampla da realidade que o estado Alfa, possibilitando igualmente encontrar soluções para problemas mais complexos do que aqueles que podemos resolver através da produção de ondas Alfa.
O estado Teta permite descobrir as nossas capacidades ainda desconhecidas, possibilitando com frequência desencadear o surgimento de poderes extrassensoriais, de vidência, de previsão do futuro, de contato com entidades superiores, entre outros.




As ondas Delta estão associadas ao estado de sono profundo.
Você poderá se beneficiar delas programando o seu sono antes de adormecer.
Nesse caso, você vai se recordar com mais facilidade do que sonhou e assim poderá extrair mais ensinamentos dos seus sonhos.