terça-feira, 19 de setembro de 2017

A Rosa de Yeats





A rosa do mundo


Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?

Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,

Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,

Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,

E morreram os filhos de Usna.



Nós passamos e passa o trabalho do mundo:

Entre humanas almas, que se agitam e quebram

Como as pálidas águas em seu fluxo invernal,

Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,

Vive este solitário rosto.



Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:

Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,

Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;

Ele fez do mundo um caminho de erva

Para os seus errantes pés.








A rosa na cruz do tempo



Rosa vermelha, Rosa altiva, triste Rosa dos meus dias!

Aproxima-te, vem até mim, enquanto de outrora os tempos canto:

O de Cuchulain, em luta com a maré inclemente;

O do Druida sombrio, filho dos bosques, de olhos calmos,

Esse que alimentou os sonhos de Fergus e a indizível ruína;

É a tua tristeza o que antiquíssimas estrelas

Dançando com sandálias de prata sobre o mar,

Cantam em sua alta e solitária melodia.

Aproxima-te pois, agora que já não me cega o destino do homem,

E posso encontrar sob os ramos do amor e do ódio,

E nas mais simples coisas que vivem apenas um dia,

A eterna beleza errante, errando ainda.



Aproxima-te, vem até mim, vem — Ah, deixa-me algum espaço

Que de seu hálito a rosa encha!

Que não seja eu quem não ouve o que implora;

O verme indefeso e oculto em seu pequeno esconderijo,

A ratazana que entre as ervas de mim foge,

E a terrível esperança mortal que labuta e morre;

Que seja eu quem ouve as estranhas coisas ditas

Por Deus aos luminosos corações dos mortos antigos,

E aprende essa língua que os homens ignoram.

Vem até mim; antes de partir queria o

Velho Eire cantar e cantar de outrora os tempos:

Rosa vermelha, Rosa altiva, triste Rosa dos meus dias.






O amante diz da rosa no seu coração



Tudo quanto é feio, destruído, todas as coisas gastas, velhas,

O grito de uma criança à beira do caminho, o rangido de uma carroça que se arrasta,

O pesado andar do lavrador, passo a passo sobre o limo invernal,

Maculam a tua imagem que engendra uma rosa no fundo do meu coração.



Tão grande é a mácula das coisas torpes que não pode ser descrita;

A minha ânsia é tudo reconstruir e sentar-me num verde outeiro solitário,

Com a terra, o céu, a água renovados, como um cofre de ouro

Para os meus sonhos da tua imagem que floresce numa rosa tão profundamente no meu coração.





W.B.Yeats
in, Poemas









ACORDO DE UNIÃO INSTÁVEL






Eu me comprometo a estar ao seu lado enquanto for agradável, divertido, estimulante, e também nos momentos em que for chato (mas não insuportável), nos momentos desanimados (mas não sem vida), nos momentos que exigirem paciência (mas não sacrifício).
Quando chegarmos ao insuportável e sacrificante, eu vou embora, ou vai você — sai primeiro aquele que estiver mais perto da porta.

Eu me comprometo a estar com você sempre que der vontade e não estar com você sempre que der vontade de estar com amigos com quem tenho gargalhadas privadas a trocar, ou quando eu precisar ficar sozinha, pois estar consigo mesma também é uma relação a ser preservada, e em troca, é óbvio: você terá todo o tempo do mundo para o seu mundo.

Eu me comprometo a amar você porque você é gentil, surpreendente, diferente, carinhoso, lindo, sem noção, pontual e tem olhos verdes, e espero que você repare que sou livre, intuitiva, inteligente, durona, engraçada, pontual e tenho olhos castanhos, e que nada disso garante coisa nenhuma, apenas intensifica o frio na barriga.
Entrar no universo do outro é sempre uma viagem excitante.

Eu me comprometo a ter água gelada e bananas, você prometa ter vinho branco e morangos.
Eu juro que vou desligar a tv quando você chegar, você promete acender a lareira quando eu aparecer, eu vou esticar os lençóis antes de a gente deitar, você vai amarfanhar meus lençóis antes de ir embora, e isso tudo vai ser simplesmente bom.

Eu me comprometo a dizer a verdade sobre coisas que você não quer saber, mas vai perguntar: a vida amorosa antes de você aparecer, o que fiz e desfiz, a normalidade da minha adolescência (compensada por algumas bizarrices da maturidade), tudo isso entrará no espólio da nossa relação, e eu, a contragosto, escutarei sobre todas as embrulhadas com sua ex, os sofrimentos causados por aquela que se mandou e acreditarei que sou a salvação da sua lavoura, até que a próxima me desbanque.
Você sabe que paixão rima com ilusão, então me iluda e eu te iludo, até que tudo se transforme na verdade mais absoluta.

Não sei se irei gostar tanto assim dos seus primos, que você considera tão hilários, e eu não sei se você gostará tanto assim das minhas amigas, que eu considero tão extraordinárias, mas vamos confiar na nossa capacidade de fingir com toda honestidade.

E agora a razão primordial deste contrato.
Se eu sumir, você fica com nossas lembranças, nossas selfies e nossas escovas de dentes: proibido compartilhar.
Se você desaparecer, eu fico com nossos panos sobre os sofás, nossos cachorros e nossas histórias: que por dever de ofício, talvez eu compartilhe, mas com discrição.
E que toda essa deliciosa loucura dure para sempre até o sol raiar.


Martha Medeiros





segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Quando vocês estiverem tristes






Quando vocês estiverem tristes, pensem em coisas lindas:
Balas, travessuras, carinho, carrinho, beijo de mãe,
Brincadeira de queimado, árvore de natal,
Árvore de jabuticaba, céu amarelo, bolas azuis,
Risadas, colo de pai, história de avó...
Quando vocês forem grandes e acharem que a vida não é linda,
Pensem em coisas lindas.
Mas pensem com força, com muita força,
Porque aí o céu vai ficar cheio de vacas gordas amarelas,
Cachorro bonzinho, bruxa simpática,
Sorvete de chocolate, caramelos e amigos
Vamos, vamos lá! vamos pensar só em coisas lindas!
Brincar na chuva, boneca nova, boneca velha, bola grande,
Mar verde, submarino amarelo, fruta molhada, banho de rio,
Guerra de travesseiro, boneco de areia, princesas,
Heróis, cavalos voadores...



Oswaldo Montenegro




Dark Night of the Soul





While we are in a dark night of the soul experience, 
hold steady knowing the light will appear once again.



Whenever a word is overused, it is most likely being misused, and over time, it begins to lose its meaningfulness. For example, we often refer to a fleeting feeling of depression or a period of confusion, as a dark night of the soul, but neither of these things qualifies as such.

A dark night of the soul is a very specific experience that some people encounter on their spiritual journeys. There are people who never encounter a dark night of the soul, but others must endure this as part of the process of breaking through to the dawn of higher consciousness. 

The dark night of the soul invites us to fully recognize the confines of our egos' identity.
We may feel as if we are trapped in a prison that affords us no access to light or the outside.
We are coming from a place of higher knowing, and we may have spent a lot of time and energy reaching toward the light of higher consciousness.

This is why the dark night has such a quality of despair:
We are suddenly shut off from what we thought we had realized and the emotional pain is very real. We may even begin to feel that it was all an illusion and that we are lost forever in this darkness. 

The more we struggle, the darker things get, until finally we surrender to our not knowing what to do, how to think, where to turn. It is from this place of losing our sense of ourselves as in control that the ego begins to crack or soften and the possibility of light entering becomes real.

Some of us will have to endure this process only once in our lives, while others may have to go through it many times.
The great revelation of the dark night is the releasing of our old, false identity. 
We finally give up believing in this false self and thus become capable of owning and embracing the light.




MADISYN TAYLOR




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

As coisas que eu gosto






Eu gosto de andar pela rua, 
bater papo, de lua e de amigo engraçado. 
Eu gosto do volume, do perfume, do ciúme, 
do desvelo e de abraço apertado. 

Eu gosto de artistas diversos 
de crianças de berço e do som do atchim. 
Tem gente, muita gente que eu gosto, 
que eu quase aposto que não gosta de mim. 

Eu gosto de quem sempre acredita 
a violência é maldita e já foi longe demais. 
Eu gosto de inventar melodia, 
da palavra poesia e de palavra com til. 

Eu gosto é de beijo na boca 
de cantora bem rouca e de morar no Brasil. 
Eu gosto assim de quem é eterno 
de quem é moderno e de quem não quer ser. 

Eu gosto de varar madrugada, 
de quem conta piada e não consegue entender. 
Eu gosto de quem quer dar ajuda 
e acredita que muda o que não anda legal. 

Eu gosto é de ver coisa rara. 
A verdade na cara é do que gosto mais. 
Eu gosto porque assim vale a pena, 
a nossa vida é pequena e tá guardada em cristais. 

Eu gosto é que Deus cante em tudo 
e que não fique mudo morto em mil catedrais. 


Oswaldo Montenegro




O I Ching codifica a geometria do universo







O I Ching  são 64 hexagramas, 
são um antigo sistema de adivinhação chinês 
pensado para a história da pré-data.




Da Wikipédia:
"O texto do I Ching é um conjunto de declarações oracular representadas por 64 conjuntos de seis linhas cada chamada hexagramas (guà guà).
Cada hexagrama é uma figura composta por seis linhas horizontais empilhados (Yáo Yao),
cada linha é ou Yang (uma linha contínua ou sólida), ou yin (quebrado, uma linha aberta com uma lacuna no centro). 

Com seis dessas linhas empilhados de baixo para cima, há 2 ou 64 combinações possíveis, e assim 64 hexagramas representadas.
A linha sólida representa yang, o princípio criativo. 
A linha aberta representa o yin, o princípio receptivo."




Nassim Haramein olhou para o hexagrama do I Ching e analisou a simples geometria representada pelas linhas, levando o seu significado mais como uma informação geométrica literal e menos como simbólica.

Se você quer construir a geometria da estrutura do espaço que está em todo o universo em todas as escalas (um array tetraédrica infinito), você começa com a primeira oitava do que se torna uma divisão infinito infinita do espaço em um estado perfeitamente equilibrado : um conjunto de 64 tetraedros. Às 64 tetraedros você tem o que a Buckminster Fuller chamou de "equilíbrio vetorial" também chamado de cubo octaedro (8 tetraedros apontando para dentro) dentro de um segundo cubo octaedro que é duas vezes maior do que o de um total de 64 tetraedros Uma oitava.

Para chegar a 64 tetraedros você traz 8 ESTRELAS TETRAEDROS. Cada tetraedro de estrela é feito de um tetraedro apontando para cima e outro polarizada apontando para baixo criando o que é também comumente conhecido como um mercaba.

Nassim Haramein notou que a única geometria "3 d" que você pode fazer com 6 linhas sólidas é um tetraedro, e a fim de fazer o segundo tetraedro de um tetraedro estrela você precisa de 6 linhas quebradas para passar pelas linhas sólidas do primeiro tetraedro. Nassim descodificou O I Ching, mostrando como 6 linhas sólidas e 6 linhas quebradas são ambos os blocos de construção do I Ching e o de uma estrela tetraedro.

Assim, 
o I Ching codifica a informação geométrica 
mais fundamental que você precisa 
para construir a geometria do universo!



in, The Resonance Project 










quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Ho'oponopono - Poema





Chegou a hora das contas,
E quase sempre está faltando
Pensavas que encontrando culpados.
A tua vida iria melhorar.
Os julgamentos e os julgamentos
Fizeram um mundo mais violento.
O círculo continua a girar
E o ódio está a conduzi-lo.

Sinto muito porque agora entendo
Que o medo e os ressentimentos
Estão criando reações
de guerra por não estar atentos.

Desculpa por te condenar.
Desculpa por te ter censurado.
Desculpa por estares a ligar.
Desculpa por não te ouvir.
Desculpa desculpa obrigado te amo

Desculpa por tanta indiferença
Por não ter feito o meu trabalho.
Por ter colocado nas suas mãos
O que me cabia.
Desculpa ter-te na prisão.
Do poder e de pegar
Perdão ou abdicar o espaço
Do que eu não estou assumindo
Desculpa ter-te na prisão.
Do poder e de pegar
Perdão ou abdicar o espaço
Do que eu não estou assumindo
Desculpa desculpa obrigado te amo

Obrigado por fazeres a tua parte.
De criar o equilíbrio
Porque já estou acordando
E vou fazê-lo contigo.

Obrigado por pagar o preço
Obrigado por me mover.
Obrigado por seres o meu espelho
Obrigado por ser meu mestre
Obrigado por pagar o preço
Obrigado por me mover.
Obrigado por seres o meu espelho
Obrigado por ser meu mestre
Desculpa desculpa obrigado te amo

Te amo porque somos um
E vivemos na mesma casa
Por isso quero te libertar
Para que possas ser tu mesmo

Te amo porque me confrontas 
Te amo pelos teus sacrifícios
Te amo por te perdoar
Estou a perdoar-me.
E aquele que está livre de pecado
Que atire a primeira pedra
Se queres andar mais leve
Perdoa e não faças resistência
Desculpa desculpa obrigado te amo



Darwin Grajales




Finding the Place You Belong


Cinque Terre, Liguria, Itália



There will likely be times in your life when your soul evolves more quickly than your circumstances. Your subconscious mind may be ready to move forward long before you recognize that you are destined to embrace a new way of life. Your soul intuitively understands that changing habitats can be a vital part of the growth process and that there may be one part of you that is eager to move to another home, another state, or another plane of existence. But the ties that bind you to your current mode of being can make moving into this next stage of your life more challenging than it has to be. If you find it difficult to move on, consider that just as people in your life may come and go, your role in others' lives may also be temporary. And many of the conditions that at first seemed favorable served you for a short time. 

When you are ready to match your situation to your soul, you will find that you feel a new sense of harmony and increasingly connected to the ebb and flow of the universe. 

Moving on can be defined in numerous ways. 
Your forward momentum may take you from your current locale to a place you instinctively know will be more nurturing, comfortable, and spiritually enriching. Once you arrive, your misgivings will vanish, and you will know that you have found a sanctuary.
Similarly, subtle changes in your values, goals, or emotional needs can motivate you to distance yourself from one group of people in order to reassociate yourself with individuals that are better able to support you.
For example, this could mean moving away from your birth family in order to find your energetic or spiritual family. The route you need to travel may not always be clear; you may feel inspired to change yet be unsure as to why or how. Clarity may come in the form of a question if you are willing to seriously ask yourself where your soul is trying to take you.

In a way, moving from one point to another when you feel strongly driven to do so is a way of bringing your spiritual and earthly energies together.

It is a two-step process that involves not only letting go but also reconnecting.
You will know you have found your destination, physical or otherwise, when you feel in your heart that you have been reborn into a life that is just the right shape, size, and composition.




MADISYN TAYLOR





quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Cymaglyphs from the calls of dolphins and whales...






.....................higher the frequency more complex the pattern











A Lista






Faça uma lista de grandes amigos,
quem você mais via há dez anos atrás...
Quantos você ainda vê todo dia ?
Quantos você já não encontra mais?

Faça uma lista dos sonhos que tinha...
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre...
Quantos você conseguiu preservar?

Onde você ainda se reconhece,
na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora...

Quantos mistérios que você sondava,
quantos você conseguiu entender?
Quantos defeitos sanados com o tempo,
era o melhor que havia em você?

Quantas mentiras você condenava,
quantas você teve que cometer ?
Quantas canções que você não cantava,
hoje assobia pra sobreviver ...

Quantos segredos que você guardava,
hoje são bobos ninguém quer saber ...
Quantas pessoas que você amava,
hoje acredita que amam você?



Oswaldo Montenegro