quarta-feira, 27 de abril de 2011

Virar a página...ou não...




"Hoje era o dia ideal para voltar a página...não sei porque não o faço...talvez porque saiba que há sempre um dia que, sem querermos, a voltamos definitivamente...e sem retorno...como um velho conhecido meu que tinha reaparecido...e morreu.

No Budismo, a palavra "morte" significa "o que vai nascer". Porque o que morre no mundo material, na verdade esta a nascer no mundo espiritual. Depois de passar para o mundo espiritual, onde vive durante um período que pode variar de alguns anos a dezenas, centenas ou mesmo milhares de anos, o ser humano renasce no mundo físico. Durante o curso de sua vida terrena, ou à medida que vai executando as suas tarefas, o homem acumula – de modo consciente ou inconsciente – impurezas e máculas no seu corpo espiritual. Quando as doenças ou a velhice deterioraram o seu corpo físico, impedindo-o de cumprir as suas tarefas, ele abandona o corpo e volta para o mundo espiritual...
Ao abandonar o seu corpo físico que não pode ser mais utilizado, o espírito retorna ao mundo espiritual, onde reinicia uma nova vida. Aproveitando o ensejo, e primeiramente, vou descrever o que ocorre no momento da morte sob o ponto de vista espiritual. Geralmente, segundo o Budismo, o espírito abandona o corpo físico saindo por um dos três seguintes pontos: a testa, o umbigo ou a ponta dos pés. O espírito purificado – isto é , aquele que acumulou virtudes praticando o bem durante sua vida terrena – sai pela testa. O espírito muito maculado, que acumulou nuvens em consequência de seus pecados e ações malignas, sai pelas pontas dos pés. O espírito médio sai pelo umbigo.
Essa é a ordem normal, mas há exceções. Quando uma pessoa morre sentindo um forte apego a vida, muitas vezes reencarna antes de ter sido suficientemente purificada no mundo espiritual. Tais pessoas têm um destino infeliz, pois como ainda carregam muitas máculas e pecados de sua encarnação anterior, sofrem grandes purificações...
Assim, uma pessoa "iluminada" vê o nascimento como uma extensão da vida e a morte como o começo de uma outra vida. Nascer não diz respeito apenas à vida nem a morte quer dizer apenas morrer. Quando olhamos para o nascimento, e para a morte, como uma coisa só, perguntamo-nos: o que há para ser comemorado ou para ser lamentado?
Apesar de todos os seres humanos (sem excepção) terem vivido e morrido através de inumeráveis renascimentos, poucos são os que se lembram da experiência da morte. Não sabemos o que a morte realmente é. De acordo com os Sutras Budistas, quando morremos ainda estamos totalmente conscientes de tudo o que está à nossa volta. Podemos ouvir a voz calma do médico ou os lamentos da nossa família. Podemos ainda ver pessoas juntando-se ao redor do nosso corpo, tentando mover o nosso corpo que agora está sem batidas do coração e sem respiração. Podemos "preocupar-nos" com as várias coisas que necessitam ainda ser completadas. Podemos "sentir" a nós mesmos movendo-nos entre a nossa família ou entre amigos, querendo dizer-lhes o que deveriam fazer...
Independente de sermos espertos ou lerdos, bons ou maus, todos nós temos de encarar a morte. A morte não é uma questão de "se", mas uma questão de quando e de como.

Todos os seres que vivem, devem, sem excepção, também morrer. A diferença só reside nas circunstâncias da morte. Os sutras dividem as circunstâncias da morte em cinco categorias:Morte a partir da exaustão do tempo de sua vida
Morte a partir da exaustão de seus méritos
Morte causada por "acidentes"
Morte desejada

Agora que apresentámos as circunstâncias da morte, vamos colocar o nosso enfoque em outro aspecto da morte.Quais são as sensações que a acompanham?. Os sutras falam-nos de três sensações que experimentamos na morte:1. O desequilíbrio do grande elemento terraQuando se morre de uma doença do corpo, a sensação é de afogamento e é como se o corpo fosse um bloco de gelo afundando no oceano. Vagarosa e gradualmente, o corpo é imerso e a pessoa sente-se sufocar. A sensação associada a esse tipo de morte é descrita como "o grande elemento terra sendo abarcado pelo grande elemento água".

2. O desequilíbrio do grande elemento água
Quando se morre de doenças circulatórias, a sensação inicial é a de ser submerso em água e a pessoa sente-se molhada e fria. Em seguida, essa sensação de frio dá lugar a uma queimação e a pessoa sente muito, muito calor. A sensação associada a esse tipo de morte é descrita como "o grande elemento água sendo tragado pelo grande elemento fogo".

3. O desequilíbrio do grande elemento fogoQuando se morre de doenças pulmonares, a sensação é de estar a queimar como num grande incêndio ao entardecer. Então o corpo sente uma dor como se fossem mordidas e como se estivesse sendo despedaçado por fortes ventos e espalhado como cinzas. A sensação associada a esse tipo de morte é descrita como "o grande elemento fogo sendo engolido pelo grande elemento vento".


Em suma: neste nosso mundo ninguém deve viver além do seu próprio tempo, pois, após a morte, todos tornar-nos-emos pó na tumba. Por exemplo, encontro-me agora com trinta e sete anos de idade, por isso, antevendo o que acontece, escrevo esta elegia para aprender a dizer "adeus" ao meu corpo!"

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